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Blog do Vavá da Luz

           A sinceridade na Páscoa (Damião Ramos Cavalcanti)

                                                 
                                         

          Nos tempos de menino, espichando o assunto muito para trás, já havia o mês de abril e, logicamente, o 1º de abril, que ocorreu ontem, precisamente o primeiro dia depois do fim de março. Nós que nascemos nesse mês, estranhamos a escolha desse dia para se dedicar à mentira, quando mentir acontece em todos os dias e meses, especialmente nesse período que se aproxima da eleição presidencial, cheio de fake News, coisa odiosa e odienta; detestável e execrável. Abunda, sobretudo porque há pessoas que política e religiosamente odeiam, não têm em si mesma o que oportuna a Páscoa, como ocasião de respeito fraterno, amor e solidariedade, até os que não têm fé. Os que odeiam, tendo isso como élan de vida, mentem; usam a mentira como sua principal arma, cultivando a guerra; outras armas da violência são secundárias…
         E, na invidia, ou vulgarmente na inveja, essas armas são indispensáveis. Já disse, em outras crônicas, e não paro de definir que sente inveja aquele que, ao olhar o outro, compara-se: ele ou ela é, e eu não sou; ele ou ela tem, e eu não tenho. Ao mesmo tempo, sente-se incapaz de ser e de ter o que o outro espontaneamente é e tem. Enfim, geralmente, quem odeia mente e quem mente odeia. Para se proteger, afaste-se de quem odeia, e assim será menos atingido por suas mentiras.
          A Páscoa é uma festa da fé, portanto, da sinceridade; e como essa comemoração se relaciona, contrariamente, à mentira. Porque a mentira é substancialmente consequência da insinceridade; os mentirosos são essencialmente insinceros. Nesse aspecto, distingo a mentira da ‘não-verdade’. A não-verdade pode ser dita sinceramente; mas a mentira jamais será pronunciada por uma mente ou por uma boca com sinceridade. Quem mente sabe e manipula tudo ou o que seja dito ou lido para se beneficiar ou prejudicar alguém, como são as fake News políticas. Isso ocorre também nas disputas ou concorrências do dia a dia do trabalho, das profissões ou das eventuais funções que se exerçam, em qualquer das mais respeitáveis instituições.
          Sempre houve um provérbio dizendo que “a mentira tem perna curta”…  Vale dizer que logo se descobre sua inveracidade. Assim, conhece-se individualmente quem “gosta de mentir”, de não ser sincero. O hábito de não mentir dá crédito a ser, socialmente, considerado veraz, exatamente na fala possuidora de veridicidade. De modo geral, o mundo político, infelizmente, possui no seu antro ou no seu âmago, personagens que, cinicamente, avantajam-se porque mentem, ultrajando e não sendo sinceras; objetivamente, trata-se de um prêmio ou de um ganho injusto. Cometerei a delicadeza de deixar ao leitor discernir quem são quem são os mentirosos; não havendo escassez, é, portanto, tarefa fácil. Há uma abundância deles nas redes sociais, nos chats, nos WhatsApps da vida. Menos nos e-mails, o que dificulta o anonimato e a responsabilidade desse pecado.
          Poderia, nessa Páscoa, refletir sobre assuntos tradicionais, como o de jejuar, poder comer carne ou recorrer a receitas culturais. Mas, antes disso, preferi sugerir meios para que se evitem perniciosas imposturas hipócritas, sob o manto da mentira, sugeridas aos nossos olhos e aos nossos ouvidos. Antes da Páscoa, Jesus foi perseguido por mentirosos fariseus e saduceus, e por eles levados à crucificação. É o que posso fazer, escrever, na missão social que cabe ao cronista, num tempo sujo pela diabólica insinceridade, oferecer a sinceridade e a fé consagradas ao divino.

Damião Ramos Cavalcanti

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