Pular para o conteúdo

Blog do Vavá da Luz

Mentiras no currículo geram riscos após contratação

Foto: Fernando Cavalcante

Mentiras no currículo continuam sendo práticas comuns durante processos seletivos, apesar dos riscos que acarretam para os candidatos. Relatos nas redes sociais e levantamentos recentes mostram que muitos profissionais inflacionam habilidades técnicas, experiências e formações para conseguir uma vaga, mas podem enfrentar consequências depois da contratação.

De acordo com uma pesquisa da consultoria Robert Half, 58% dos recrutadores já eliminaram candidatos por inconsistências identificadas no currículo logo nas primeiras etapas do processo seletivo. O estudo identifica as cinco mentiras mais comuns:

  • Exagero em habilidades técnicas;
  • Experiência profissional ampliada;
  • Proficiência linguística além do real;
  • Motivos amenizados para desligamentos anteriores;
  • Resultados e conquistas exagerados.

Mesmo com esses dados, aproximadamente 26% dos profissionais admitem ter já ajustado informações ou cogitado fazer isso durante a busca por emprego.

Um caso relatado pela designer Giovanna de Meo, que mentiu sobre sua mudança para Brasília para disputar uma vaga, exemplifica a pressão enfrentada pelos candidatos. A mentira garantiu a oportunidade, mas exigiu rápida adaptação e aprendizado. Para a profissional, “mais cedo ou mais tarde, você será testado naquilo que colocou”.

Especialistas alertam que a pressão para se destacar contribui para a distorção de informações. Taís Targa, psicóloga e headhunter, observa que o exagero em competências técnicas é o mais comum, com muitos candidatos superestimando suas habilidades para manter a vaga durante a entrevista e trabalho.

Testes práticos e questionamentos técnicos costumam desmascarar essas inconsistências, que podem resultar em demissão por justa causa, principalmente em casos que envolvem falsificação de diplomas ou experiências.

Além das mentiras explícitas, há omissões estratégicas, como deixar de mencionar títulos acadêmicos para não ser considerado ‘qualificado demais’ e ser preterido. Também cresce a preocupação com o uso inadequado de inteligência artificial na elaboração de currículos e respostas em entrevistas, com recrutadores percebendo padrões mecânicos e falta de profundidade.

Marcela Esteves, diretora da Robert Half, explica que a IA pode ajudar na organização, mas não substitui a experiência real. Marcela Zidem, CEO da consultoria CNP, reforça que “currículo bem feito não é currículo enfeitado” e destaca que processos seletivos superficiais contribuem para a proliferação de informações falsas.

Em suma, mentiras no currículo podem abrir portas, mas o descompasso entre o informado e a realidade do candidato costuma trazer prejuízos profissionais e pessoais, afetando a credibilidade e trajetória na empresa.

Fonte: Pesquisa Robert Half e relatos de especialistas em recursos humanos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *