Caminha assim uma parte da humanidade: curvada diante da própria imagem, refém do clique, do instante vazio, da vida alheia. Caminha distraída, sabotando a alma e, sem perceber, a si mesma.
Outra parte segue diferente. Avança com o olhar no horizonte, reconhece o nascer e o pôr do sol como quem reconhece a própria origem. Caminha leve, calçada em sandálias simples, chorando as dores do mundo, sonhando com dias bons, escolhendo viver a vida de bem. Reavalia os passos, disciplina o pensamento, governa o agir. Ama e também permite ser amada.
Entre onde se está e onde se deseja chegar existe um caminho silencioso. Ele pede pausa, realinhamento, ressignificação. Pede coragem para ajustar rotas e agir. Esse instante, íntimo e intransferível, é território do eu. Ali se aprende a escolher o que soma, o que impulsiona, o que inebria sem embriagar, o que faz agradecer por existir. Ali, diante do espelho, olhos nos próprios olhos, nasce um orgulho sereno: não de vaidade, mas de verdade.
Não se deve oferecer tempo a quem inveja, sabota ou deseja a ruína do outro. A esses, silêncio. Esquecimento. Oração. Que a fé qualquer que seja, alcance almas desalinhadas da luz, da paz e da vida. Enquanto isso, mira teu propósito. Segue teus passos. Cruza teus caminhos com firmeza no pensar e dignidade no agir. Ergue os olhos. Busca o sol. Vive. O universo caminha contigo. Deus sustenta a fé.
Há um caminho que sempre leva ao sol. Há uma luz que insiste em chamar. Nela cabem o riso, a paz, o eu e o nós esse todo que nasce do amor e sustenta o orgulho de um propósito que é único, porque é teu.
Paro. Escuto a canção que diz:
“Lavei a alma pra começar
Nadei na água, pisei no chão
No meu caminho, cruzei desertos
De peito aberto, na contramão
Mirei o mar, respirei o ar
Já conversei com meu coração
Não tem por que não dar certo
Se o universo pode caber na mão…”
de um dia de Domingo, 18 de janeiro de 2025
Carlos Marques Dunga Júnior