“Sequestro às caladas da noite” é como o rapto das sabinas, na originária Roma, quando os romanos necessitaram de mulheres e raptaram as filhas dos povoados vizinhos para constituírem mais famílias. São ataques sorrateiros, inesperados e silenciosos, quando a luz do dia ainda é escuridão. É expressão usada para se narrar notícias e crimes ocultos e, muitas vezes, violentos, quando não acontece alguma vigilância durante a noite ou a escura madrugada. De surpresa, como, na nossa infância, contavam nossos pais, ameaçava entrar o ladrão na nossa casa pelo teto. Antes de adormecer, o medo vinha do telhado, e para nos defender tínhamos apenas o nosso curto cobertor.
Não foi “às caladas da noite”, daí as dificuldades surgidas, os embates entre feridos e mortes. Contudo, foi classificada como sequestro, essa ocorrência contra os judeus, em 7 de outubro de 2023, e também tal sequestro como ato de terrorismo. Ato político cheio de imperfeições. Porém, o ataque recente à Venezuela, realizado pela Tropa de Elite ou Força Delta de Trump, foi considerado pelo presidente americano como de extrema perfeição, em que “não houve mortes”. Quando algum repórter contradisse que ocorreram 32 mortes, Trump reagiu: “Mas eram cubanos”… Tudo antecipadamente planejado e seguindo o script da onipresente CIA, cuja ubiquidade não nega que, talvez, também esteja agora nos vigiando. Quando aconteceu o golpe de 1964 no Brasil, foi assim, a CIA se infiltrou nos programas assistenciais norte-americanos, como o IBAD e a Aliança Para o Progresso. Agora, sabiam de tudo, inclusive que Maduro e esposa estavam dormindo.
Seguindo tais instruções, desceram também pelo telhado e surpreenderam Maduro de pijama e sua mulher, Cilia de Flores, vestida de camisola. Foram levados para o navio yankee, que há tempo estava ancorado por perto, e onde já havia roupas nos tamanhos adequados para o casal. Por coincidência, em 1964, também havia navios de guerra nas costas nordestinas do nosso país, para proteger o golpe de eventuais reações populares ou de temores das frágeis Ligas Camponesas, apenas armadas de foices e enxadas. Foi assim que prenderam, no seu próprio país, o Presidente da República Bolivariana da Venezuela, na sua capital Caracas, o que fere substancialmente a independência da Venezuela, como advertiu o americano Papa Leão XIV, e sobretudo, como disseram países da ONU, da OEA e da União Europeia, um desrespeito inadmissível contra os princípios da Autodeterminação dos Povos.
Sucederam vários pronunciamentos internacionais de indignação emitidos por pessoas significativas no mundo intelectual, acadêmico e jurídico. Em contrapartida, Trump voltou a ameaçar-nos com outras invasões e tomadas de territórios, depois de tratar, nesse sentido, em relação ao México, Panamá, Cuba, Canadá, Colômbia e especialmente sua vizinha Groenlândia, e Dinamarca, o que seria o desmoronamento da OTAN ou a Otan contra a Otan… Dos absurdos que são ditos por ele, como acreditar ou desacreditar desses injuriosos propósitos? Esses planos de invasão nos lembram o anschluss na Europa ,que acelerou a II Guerra Mundial; aqui, quando Trump trata a América Latina como se fosse “seu hemisfério”. Pensem que são capazes de talvez dividir o mundo em feudos, negociando a Ucrânia, Taiwan, e outros interesses em troca da indiferença às suas ganâncias. Da Venezuela, já tirou Maduro, agora promete administrá-la através das empresas americanas para tirar-lhe o petróleo e outras riquezas.
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