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Lá no meu Sertão ( Carlos M. Dunga Jr.)

 

Seguimos para mais uma visita ao Sertão da Paraíba, a nossa Pombal – eu e Ana, Cazé (meu irmão) e Taciana. Fomos à noite, na travessia dos 232 km, em que nos dirigimos, eu e Cazé, novamente, para reviver e relembrar de nossa infância e adolescência.
Hoje, fazer esse trajeto é bom… é viver, é recordar e contemplar dias passados, vividos em toda nossa história.
Ouvi nessa estrada meu avô Pedro Marques me contar muito sobre a vida e sobrevivência de um sertanejo, homem forte, validado na sua crença e valores de bem. Ouvi e sonhei com os contos de meu pai, Carlos Dunga, onde, seja no inverno ou no verão, sempre tinha relatos a dizer de sua coragem, força, propósito, crença, jornada política, amores, sabores, cheiros e flores, que nos remetem até o agora.
Na descida com Cazé, em São Mamede, para tomar uma coalhada, que é de lei, ao abrir a porta do carro, sentimos aquele cheiro do solo sertanejo chovido, orvalhado, molhado: era o coração em festa.
Ainda na estrada, já liguei pra “primaida”… aqueles primos que temos saudade, aqueles que queremos rever, para falar da nossa chegada. Hoje, nós todos já avós, famílias formadas, e como tem sido prazeroso o reencontro do eu e do nós.
Como é forte a memória dos olhos, o calor dos abraços, a fala que ainda ecoa a infância, adolescência, mesmo na dureza dos dias. Ainda resta o som, o sotaque, o barulho da hora boa.
A serra, o açude cheio, o rio, o café, o bolo, o queijo… a minoria remexida nos sentidos da vida.
Surge a aurora, o novo dia, e a volta, onde a danada da saudade traz ao espelho as memórias do céu. Em orações, agradeço e peço pela continuação do agora, e que lá adiante eu possa dizer que vivi e fui feliz, nas andanças de meu Sertão.
Levo comigo teu luar, teu encanto e teu amor. Comungo comigo o Deus que ali reside.
Fortaleço em mim minha história e meu legado.
Recarrego na alma a certeza de meu amor:
“Te amo, meu Sertão”.

De um dia de domingo
Carlos M. Dunga Jr.