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Salvem os jovens (Alberto Pessoa0

 

Na sociedade em que vivemos, complexa, confusa pelas frustrações do próprio sistema existencialista, onde o ser humano já nasce com preceito de sofrer durante a vida; com poucas exceções, tem-se de trilhar por caminhos espinhosos para alcançar o mínimo objetivo.

A juventude começa a adquirir uma visão de vida de forma precária, seguindo inclusive os padrões impostos pelos meios de comunicação de massa, os quais, atingem em cheio a formação psicológica, moral e intelectual do receptor das mensagens, muitas vezes destorcidas e tendenciosas em favor dos interesses de outros.

A partir dos conflitos e da s influências externas, a juventude se vê ansiosa em busca de algo que na verdade, nem ela mesma sabe o que seria. São tantas as opções, porém nem todas estão relacionadas com a idéia de visão de mundo e sistematização na busca do alvo a ser atingido. Ninguém nasce sabendo de tudo, entretanto, a própria cultura de grupo social pode remeter o jovem a perspectivas mais palpáveis.”Aprendi alguma coisa na vida quebrando a cara”. “Ralei muito para conseguir alcançar o pouco que galguei”, são desabafos reais ouvidos no dia-a-dia. Para consolidar os propósitos na competição social, passa-se por “poucas e boas”, invertendo-se, muitas vezes, até os valores morais e éticos.

Em face aos inúmeros obstáculos que devem ser superados, muitos adolescentes acabam sendo compelidos para outros caminhos, que o distancia ainda mais da conquista do conhecimento. E é justamente a falta de informação que o leva à adesão de uma vida medíocre, sem brilho, sem alegria. As drogas (álcool, maconha, cocaína, crack e outras), oferecem-lhe a falsa sensação de bem-estar, entretanto, quando o efeito alucinógeno cessa, vêm a depressão, o medo, a incerteza e o fracasso. Incompreendido, discriminado, excluído, a maioria desses garotos e garotas, vê a criminalidade, a prostituição, como opção mais próxima para manter-lhes pelo menos o vício.

A partir daí acentuam-se as possibilidades do aumento de óbito entre jovens de 16 a 23 anos e agrava ainda mais os indicadores sociais, como a incidência da disseminação de doenças infecto-contagiosas. A falta de políticas públicas, que busquem atingir com eficácia as necessidades básicas da população como: melhoria na qualidade do ensino público, criação de empregos, melhores condições de moradia e no setor de saúde, entre outros, agrava ainda mais a situação e o futuro de milhares de brasileiros. Estes, acabam sendo empurrados para o nada.

O capitalismo, também responsável pela maioria destes problemas, onde os países pobres tornam-se alvo das mais inescrupulosas formas de exploração humana, poderia ser usado por seus principais atores (aqueles que se beneficiam efetivamente com esse sistema) para trabalhar-se a idéia de investimentos sociais. Essa prática ainda é bastante inibida no meio empresarial, porém as experiências mostram sua eficácia. Investimentos públicos para fazer chegar até ao cidadão as informações necessárias para uma boa formação como ser social, seriam importantes nesse contexto.

O invés de ficarem se digladiando, maquinando, preparando manobras políticas, os detentores do poder, deveriam evitar a perfídia e se voltarem mais para a busca de soluções concretas que possam tirar milhares de pobres e miseráveis da penúria: fome, pobreza, dor, necessidade.

 

* Alberto Pessoa é jornalista fundador da (Novaimagemrevista.com.br )