PROFESSORES NÃO SÃO PREPARADOS PARA ENSINAR ( Prof. Marcos Bacalháo)

   

“ A  questão não é se o professor sabe promover o aprendizado naquele ambiente, mas se ele tem repertório para ensinar em vez de reproduzir informação.”

 marcos baclhao          

 

Um professor com poucas oportunidades de aprender a dar aula é como um médico que não sabe tratar do paciente ou um advogado que não conhece os caminhos para defender o réu. Mas o que parece tão contraditório é uma realidade no caso dos educadores. Em todas as etapas de formação, os docentes enfrentam restrições ao aprendizado do próprio ofício. A Universidade reserva a menor parcela do curso a lições de como ensinar. A biografia sobre o assunto é desproporcional à demanda e o tempo de aprendizado dentro da escola – apesar de previsto em lei – é desviado para assuntos burocráticos.

            Para piorar, o modelo pelo qual os próprios professores aprenderam e que muitos replicam há décadas empaca diante de uma geração moldada pela facilidade e rapidez de resposta da internet.A sociedade não precisa mais de alguém que traga a informação. Isso o computador pode fazer. No entanto, a sociedade precisa cada vez mais de um mestre que ensine a pensar, a resolver problemas, a produzir conhecimentos.O Ministério da Educação também encontrou um problema ainda anterior aos currículos das faculdades: a falta de livros sobre didática.

            Vejam bem. A iniciação à leitura transcende o ato simples de apresentar ao sujeito as letras que aí estão escritas. É mais que preparar o leitor para a decifração das artimanhas de uma sociedade que pretende também consumi-lo. È mais do que a incorporação de um saber frio, astutamente construído. Mas, será que o professor está preparado para promover essa iniciação ao vício da leitura? O gosto e o prazer pela leitura começam quando a criança se deslumbra com o maravilhoso emanado do livro, ou seja, com a história, pois não são as letras nem as  sílabas que as extasiam, mas o enredo…

            Portanto, é interessante saber que entrar em contato com a literatura é entrar em contato com a vida, que é feita de alegrias e tristezas. Tais leituras, então, trazem uma mensagem que enriquece o leitor, mexe com o sentimental, balança o humano que, muitas vezes, está adormecido no íntimo do seu ser.

            Outro deslize freqüente do professor é que este, ao passar uma atividade não explica do que se  trata e nem como fazê-lo, o que deixa o aluno em uma situação difícil: precisa cumprir a tarefa, mas não a sabe laborar. Daí advém o desgosto pela disciplina e pela leitura.

            Além disso, em algumas ocasiões, a biblioteca, espaço que deveria ser considerado santuário, é profanada toda vez que o professor utiliza esse ambiente para castigar o aluno. Vá para a biblioteca e pegue um livro para ler. Ao final, faça um resumo de dez páginas.

            Como esse aluno pode ter simpatia pela biblioteca e pelos livros, se ambos são sinônimos de castigo? Tenho dito !

 

                                                                       Ingá, 12 de julho de  2013