PETROBRAS ESTÁ QUEBRADA! (Ossami Sakamori)

Para retratar, tanto quanto possível, a realidade que vive a Petrobras, coletei trechos de recentes noticiários sobre a Companhia divulgados pelo jornal Folha em formato “on line”, cujos trechos estão reproduzidos em itálicos. Após cada trecho emitálicos, segue meu comentário sobre o trecho noticiado, para melhor compreensão.



A expectativa do Brasil de alcançar autossuficiência e a exportação de derivados de petróleo no horizonte de 2020 agora dá lugar a preocupações com situações pontuais de desabastecimentos de combustíveis, revelou nesta quinta-feira um estudo do órgão regulador do setor.


Por insuficiência de geração de caixa devido a defasagem do preço de combustíveis na ponta de consumo, mesmo com o recente aumento, os investimentos na área de pesquisa e exploração estão sendo postergados, razão pela qual, não haverá autossuficiência, muito menos a exportação de derivados de petróleo.  

A própria ANP anuncia que haverá no horizonte próximo, situação de desabastecimentos pontuais de combustíveis.  Aliás, o fato já ocorreu, em período curto e pontuais nos estados de Amapá, Paraná e Rio Grande do Sul, no ano de 2012.  A situação poderá se agravar-se, nos próximos anos.


O mercado de combustíveis no Brasil enfrenta, além da insuficiente produção, gargalos nos terminais, cada vez mais procurados por causa da explosão das importações de gasolina e diesel, afirmou a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).


Eu já vinha chamando atenção sobre o gargalo nos portos pela repentina necessidade de importação de combustíveis prontos, por falta de capacidade de terminais de combustíveis.  A própria ANP já alerta que os terminais estão chegando no limite da capacidade instalada.  Poderá haver racionamento de combustíveis, pela falta de capacidade dos terminais portuários.  Mais uma dor de cabeça adicional para a Petrobras.  


As perspectivas de evolução da capacidade do parque de refino nacional não aliviam as pressões de curto prazo sobre a importação de derivados, e são dúvida mesmo em prazo mais longo, devido à indefinição sobre a realização de alguns projetos”, disse a ANP. 


Não haverá evolução da capacidade do parque de refino nacional em função do problema de gestão da Petrobras, pelo menos até o final de 2014.  As atuais refinarias estão funcionando a 98% da capacidade instalada.  E vejam a situação das novas refinarias, conforme abaixo.

Refinaria Abreu e Lima com capacidade de 230 mil barris por dia, uma associação dom PDVSA, do investimento previsto de US$ 2,3 bilhões, agora está em US$ 17,1 bilhões, sendo que vai entrar em operação, apenas o trem do petróleo leve no final de 2014. 

Refinaria Comperj com capacidade de 165 mil barris por dia, para primeira fase com investimento previsto de 12,7 bilhões, está com cronograma atrasada. com previsão de operação no final de 2014.


As crescentes importações de derivados de petróleo estão entre os fatores que afetaram os resultados da Petrobras em 2012, já que a estatal vendeu os produtos a preços mais baixos do que os comprados no mercado internacional.


Em razão da capacidade plena das refinarias em operação no País, a Petrobras vem importando os combustíveis prontos desde o segundo semestre do ano passado.  Com o aumento crescente de demanda, até por conta do aumento de número de veículos em circulação, a Petrobras é obrigado a importar em volume cada vez maior.

Levantamento feito pelo banco Credit Suisse conclui que é melhor para a Petrobras construir refinarias a importar derivados. Emerson Leite, um dos autores do estudo, alerta, entretanto, que mesmo se a empresa já tivesse construído refinarias capazes de processar todo o petróleo que o Brasil consome, o controle de preços do governo continuaria a prejudicar as contas da empresa.

A Petrobras paga os combustíveis prontos em dólares, no mercado internacional.  Com a retomada de crescimento dos EEUU, o petróleo vem experimentando uma trajetória ascendente.  No dia do aumento de gasolina, o preço do barril Brent estava cotado a US$ 114. A cada dólar de aumento no mercado internacional o “rombo” da Petrobras aumenta ainda mais, porque os preços na bomba estão fixados, até segunda ordem.  Haja coração para aguentar as oscilações para cima!


“O problema não é investir em refino, mas sim não ter preço de mercado. A conclusão é que construindo a refinaria a empresa perde menos do que importando, mas a margem de refino não tem sido suficiente para compensar a construção, por causa do controle do governo”, explicou o analista.


Em outras palavras, o analista quis dizer que a situação da Petrobras é aquela de, se correr o “bicho pega e se parar o bicho come”.  Para complicar ainda mais a situação o endividamento da Companhia ela está chegando no limite considerado de risco, pelas agências de rating.  No início do segundo semestre, se não for concedido novo aumento nos combustíveis, a Petrobras será rebaixado na classificação de risco.   Se isto vier a acontecer, as ações da Companhia vão, de vez,  para o chão.  Atenção, acionistas minoritários!

A Petrobras, em sendo empresa de controle do governo, poderá produzir efeito negativo no Tesouro Nacional, caso haja rebaixamento na classificação de risco.  Tornará a rolagem das dívidas um problema.  Captação de novos recursos para investimentos nas áreas de pesquisas, exploração e refino, se tornarão cada vez mais difícil e cara.  Traduzindo isto em linguagem popular, a Petrobras está sucateada ou com uma pitadinha de pimenta, a Petrobras está quebrada.  Vocês escolhem o termo que quiser. 

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT. Twitter: @sakamori12